segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Nacionalismo e Internacionalismo Proletário

“De fato, essas interpretações equivocadas estão no bojo das atitudes de numerosos partidos e de intelectuais que se proclamam marxistas e se comportam como fervorosos aduladores do ‘progresso capitalista’ – pois, segundo eles, isso prepararia as condições para a travessia ao socialismo.”
Álvaro García-Linera em "A Potência Plebeia", página 31.
Ainda que eu seja um defensor da instrumentalização de ideais nacionais como arma contra a agressão imperialista, um perigo deste caminho é a capitulação diante do que é a missão do Estado Nacional, que é a expansão de seus domínios para a própria sobrevivência na concorrência capitalista.
A ideia de progresso nacional como passo para o bem-estar do povo é a própria alienação presente no discurso do liberalismo. Uma nação que caminha junto irmãmente em direção ao progresso esconde assim o conflito entre as classes antagônicas, entre a classe dirigente e as etnias subalternas, entre o machismo estrutural e a luta pelos direitos das mulheres e de homossexuais.
Um nacionalismo revolucionário deve caminhar junto com o internacionalismo proletário, e não apenas nas resoluções após as vírgulas, mas na prática concreta.
Tudo isto pode parecer um pouco fora de lugar já que o que anda na moda no Brasil é o anti-nacionalismo, ou o nacionalismo burguês que em verdade é anti-nacional, mas acredito que deva ser uma reflexão para que não se repita os erros do último período.