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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os Donos do Mundo


Richard Drew/19.05.2011/AFP

Quem disse que o mundo não tem seus donos? O ex-chefe do FMI, Dominique Strauss-Kahn, preso por acusação de estupro de uma camareira em um hotel em Nova York, será solto hoje.





Por Allysson Lemos



Segundo a descrição do site Wikipédia, o Fundo Monetário Internacional poderia ser descrito como " uma organização internacional que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial pelo monitoramento das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, através de assistência técnica e financeira". Ou seja, o FMI é o órgão responsável pela manutenção das relações de dependência internacional, ao qual as nações em desenvolvimento recorrem para salvar suas balanças comerciais e, por consequência, para aumentar sua dívida externa. Em suma, o FMI é um símbolo da ordem capitalista no mundo e serve para assegurá-la.
Imagine agora o poder representado no personagem desta semana, o Sr. Dominique Strauss-Kahn. Atenções para sua agora falida tentativa de se eleger presidente da França, para o caos gerado nas bolsas de valores européias com a sua prisão, que agravou ainda mais a crise na Grécia, por exemplo. Porém pouca atenção à pobre camareira do hotel nova iorquino, vítima de um dos crimes mais horrendos, uma grande humilhação para um ser humano, que por ela jamais será esquecido.
Sem dúvida, sob esta certeza, o próprio cometeu este crime. Pagando U$ 1 milhão em fiança ele será solto, após apresentação de recurso. O mesmo valor havia sido recusado pela Justiça pela alegação de que era possível que o réu fugisse do país, o que dificultaria a resolução do caso. Este valor, que não há de ser nada para o chefão do FMI, certamente seria impossível para um criminoso comum, o que nos leva a refletir sobre a justiça da Justiça no sistema capitalista. Onde estaria John Silver num momento como esses?   

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Homem ao mar! The American Way of Killing!


Por Allysson Lemos

Esse foi o comando yankee. Assassinado sem julgamento e jogado ao mar, de forma que ninguém se interessasse em saber as condições de sua morte, assim perdeu a vida Osama Bin Laden. Contra tudo que os próprios defendem enquanto democracia, justiça e todos os seus costumeiros valores de classe escarrados contra os povos por eles oprimidos.
Assim é a "Guerra ao Terror" dirão eles. É um slogan bastante convincente, eu diria. Obama, em seu anúncio, faltou apenas expor a cabeça de seu adversário, como exemplo àqueles que ousam enfrentar o poder dos Estados Unidos da América. E ainda há quem ache que a guerra é coisa do passado, que caminhamos para a paz. Enquanto houver expansão do Capital haverá espaço e alimento para o mercado da guerra.
Mas, de que se trata este terror? Seriam estes grupos islâmicos chamados extremistas grandes coletivos de loucos, fanáticos, que pelo próprio instinto da maldade cometem atentados terroristas? Ou esta história de bem e mau é mais uma reconstrução de valores?
Os Estados Unidos não são nenhuma referência de bondade. Dentre seus crimes, talvez esteja o pior de todos na História da humanidade, a bomba nuclear lançada em Hiroshima e Nagazaki, matando milhares de vidas inocentes. Isto sem falar no suporte econômico e militar dado às ditaduras militares sanguinárias em toda a América Latina. Sem falar no apoio bélico às reações aos movimentos de independência na África. Sem falar no acordo político com Israel, que sustenta o assassinato de centenas de palestinos há anos.
Dito tudo isto, será que ainda é possível fazer um filme com americanos de boa índole que caçam terroristas no Oriente Médio? É importante avisar que Osama Bin Laden era aliado dos palestinos, na sua luta pela criação de seu Estado Nacional. As pessoas em geral não sabem disso. Afinal de contas, é chato dizer que se faz guerra para controlar o Oriente Médio, para ter o controle do petróleo da região, para subjugar os árabes que resistem ao domínio norte-americano. Muito mais interessante é dizer que luta-se contra fanáticos, árabes primitivos que se recusam a "ascender à civilização".
Mas hoje vimos a barbárie ganhando concretude. E foi no discurso do senhor Barack Obama e na forma de matar, se infiltrar, se livrar de corpos que se valeu o glorioso Estados Unidos da América! American Way of Killing!

sábado, 19 de março de 2011

A "Visita" de Obama

A marcada visita de Obama para este final de semana tem gerado grandes polêmicas no país. O presidente dos EUA, desde sua campanha com marketing avassalador conseguiu abarcar um sentimento de conquista do povo negro nos EUA, que tanto sofreu a opressão branca de um racismo institucionalizado. Ao mesmo tempo, Obama captou o sentimento americano em geral, de povo vencedor, protagonista e dominador.
Muito mais hábil e carismático que seu antecessor, Obama passa ileso pelas críticas superficiais no estilo Michael Moore, as quais eram direcionadas a política belicista de George W. Bush. Tanto o é, que ninguém poderia imaginar o último discursando na cinelândia sem uma massa enfurecida contra ele. 
No entanto, partindo para uma análise mais concreta, Obama é apenas uma versão "simpática" de Bush, este sim durão, cowboy, e inspirador do ódio em milhares de pessoas pelo mundo que são oprimidas pelo imperialismo yankee. Obama não retirou as tropas do Iraque, não mudou um milímetro a política de arrocho à economia cubana, e já tem seu maquinário de guerra pronto para invadir a Líbia. Durante a crise econômica, ao contrário do Governo Lula que manteve a segurança da economia brasileira através de investimentos no poder de compra do trabalhador, como o programa Minha Casa, Minha Vida, a expansão do PAC e do Bolsa Família, o governo americano preferiu investir verba pública nos seus bancos privados, o que nos faz pensar que talvez ele represente mais os grandes empresários brancos estadunidenses responsáveis pela exploração de mão de obra negra em todo o mundo do que propriamente os negros americanos.
Neste sentido, Obama nada difere de Bush. Representa a mesma política imperialista que oprime povos e nações mundo a fora. Que estrangula milhões de trabalhadores no mundo em prol de algumas famílias de empresários brancos estadunidenses. E sim, ele vem discursar no Teatro Municipal. Mas nós não somos seu rebanho, não mais.
E uma mensagem ao PT: que dêem continuidade à política de Lula, de valorizar os acordos com os emergentes e os oprimidos, selando um acordo anti-imperialista no mundo. Porque nós, intelectuais, estudantes e trabalhadores brasileiros não aceitaremos subserviência ao Império dos Estados Unidos.
Obama, go home!