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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jornal O Globo, panfleto do governo norte-americano

                        

                                        Por Allysson Lemos

A História mostra que não é necessário ser de esquerda para ser nacionalista. Ao contrário, o Estado-Nação surge historicamente como o regime político moderno, como projeto político burguês. No entanto, é impressionante a tradição entreguista e vendida da direita brasileira. Entendendo a grande mídia brasileira como formadora de opinião das classes dominantes e, logo, da direita, o jornal O Globo tem apresentado sucessivamente opiniões anti-nacionalistas e pró-imperialistas.
Assim se sucedeu no caso da revolução no Egito, escondendo a antiga relação dos EUA e do Exército egípcio com o governo de Mubarak, assim foi na ocasião em que o Governo Dilma trocou a presidência da Vale para dar um rumo mais nacionalista às relações comerciais da empresa, fazendo um escancarado lobby pela permanência do antigo presidente. E na edição deste último domingo, o jornal publicou uma matéria vergonhosa sobre a possível formação de um partido cocalero no Peru.
A matéria, longe de explicar os processos políticos que têm ocorrido na América do Sul, de auto-afirmação dos povos, de afirmação de sua cultura e suas necessidades em contraste à velha dominação estadunidense no continente, a matéria prefere rotular tudo numa categoria pejorativa possivelmente invetada por eles próprios de "narcopolítica". Num exercício de reprodução de ignorância, o autor faz uma ligação do governo de Evo Morales com os cocaleros do Peru e setores da Colômbia que ele sequer cita no que chama de "Império Cocaleiro". Isto tudo inspirado na possibilidade de um partido cocalero peruano.
No topo da página há uma foto do presidente boliviano com uma folha de coca na mão, sugerindo sua ligação com o narcotráfico. Em seguida, há um gráfico com "os gastos dos EUA na guerra contra o tráfico na América Latina". Portanto, já sabemos que se os EUA resolverem fazer da América Latina o que fazem no Oriente Médio terão o apoio do jornal O Globo.
Para explicar minha indignação, farei uma breve análise do que significam estes processos na América. O governo de Evo Morales foi eleito democraticamente por representar diretamente o povo boliviano. O presidente é um homem de origem indígena, da tribo aiamará, que está estabelecida desde a era pré-colombiana no sul do Peru, na Bolívia, Chile e Argentina. Para se ter uma idéia, existem na Bolívia cerca de 1.200.000 falantes da língua aiamará.  Estas tribos andinas usam a coca para mascar. Como admite a matéria do Globo com desdém, isto é parte integrante de sua cultura antes mesmo da existência do Império Inca. A produção de coca é hoje uma das principais atividades econômicas da Bolívia e, os trabalhadores destas plantações são conhecidos como cocaleros, assim como o era o próprio presidente Evo Morales. Integrante do MAS, "Movimento ao Socialismo", uma das marcas do governo Morales foi a aprovação da nova constituição boliviana, que garante agora um "Estado Plurinacional", respeitando as fronteiras indígenas e marcada por aspectos culturais também indígenas, o que caracteriza o processo como distinto da democracia-liberal burguesa propagadeada pelos Estados Unidos da América.
Se parte da produção de coca é direcionada a produção de cocaína, isso sem dúvida não foi inventado pelos bolivianos ou pelos peruanos. A cocaína, uma droga industrial, depende necessariamente de grandes movimentações do capital não apenas para se produzida como para sua circulação. E, esse capital que deu novo sentido à produção de coca, é majoritariamente estadunidense.
Assim, é legítimo que os cocaleros peruanos organizem seu partido. Trabalhadores rurais, agora reclamam sua representação política. Apresentados como bandidos do tráfico pelo jornal, nada mais são do que trabalhadores assalariados que são explorados pelo capitalismo e que, em seu direito e inspirados nos bolivianos, avançam em sua capacidade de organização.
 O que o jornal faz, é esconder o conflito existente na América Latina dos interesses dos povos contra os interesses dos EUA. Acostumados a nos tratar como seu "quintal", os estadunidenses começam a ver os povos sul-americanos seguirem seus caminhos e por abaixo seus antigos privilégios no continente.

quinta-feira, 10 de março de 2011

MTV: "Democrática", mas ainda um aparelho ideológico

Este artigo foi motivado por uma conversa com um amigo de minha turma na faculdade, Pedro Augusto (ou Jimmie, como é mais conhecido). Pondo toda nossa sabedoria de bar à prova, descobrimos aspectos interessantes sobre esta interessante emissora de televisão, a partir de comentários sobre a mais recente revelação do humor brasileiro, Marcelo Adnet.

Por Allysson Lemos

A MTV (Music Television), é uma emissora internacional que existe no Brasil desde início dos anos 90, cujo trabalho é desenvolvido centralmente em cima do tema "música". Com toda sua estética pensada de forma que melhor abarque a juventude, a MTV tem importante papel na formação deste setor social brasileiro.
E o faz da mesma forma como os outros meios de comunicação, canais e programas com esse intuito, que é a propaganda anti-política, a denúncia das falhas da democracia burguesa, tudo em tom de bom humor, obviamente. Talvez tenha até inaugurado este estilo. Assim, não se diferenciaria da grande mídia em geral, que trabalha na construção ideológica de valores alienantes no seio do povo, o afastando da política e lhe oferecendo cultura enlatada de modo que se consolide uma padronização na forma de pensar, agir, afastando o jovem de suas identidades. Exceto por uma razão. A grande criatividade e liberdade que é estiimulada entre seus "vj`s", que dão mais atualidade à interlocução da mídia com seu espectador.
Simplificando, a renovação de linguagem no humor brasileiro não é possível a partir da Rede Globo, que prefere insistir no modelão Zorra Total, há muito tempo falido. Essa renovação, em geral, é estimulada pela MTV, que conseguiu descobrir uma forma moderna de fazer humor, se utilizando do estímulo à crítica, aspecto fundamental para atender ao jovem que, na busca da consolidação de valores, o faz contestando aqueles já estabelecidos.
Assim o foi com "Hermes e Renato" com seu humor nonsense, uma crítica sem conteúdo a tudo que existe. Na mesma batida surgiu Marcos Mion, que apesar de ter tido seu grande ápice na Rede Bandeirantes, só teria espaço para desenvolver seu trabalho na MTV. Hoje, já em declínio, este estilo dá lugar a um humor pretensamente politizado, como é o caso do "Furo MTV", e que veio influenciar o surgimento de programas no mesmo estilo em outros canais, como é o caso do badalado "CQC" da Bandeirantes.
E agora, a MTV é responsável por essa grande revelação da televisão, Marcelo Adnet. Sujeito de vasta cultura, gênio do improviso e da imitação, Adnet consegue ir além de todos os clichês e produzir piadas inesperadas, arte crítica, fugindo inclusive a esse humor "pretensamente politizado e realmente despolitizado". Ou seja, Marcelo Adnet é a prova de que a MTV é sim uma emissora que da grande mídia, cumpre seu papel alienante, mas que também contrai todas as contradições da democracia burguesa. A seguir, um vídeo do rapaz falando do humor tupiniquim, o que mostra que suas ambições não são pequenas, nem o seu potencial de criação.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Portal Vermelho: Cosme Rímoli: como a Globo e a CBF se uniram contra os clubes

TV Globo e CBF conseguiram o que desejavam há décadas: acabaram com a força do Clube dos 13. Tendo o presidente do Corinthians como o grande articulador, terminou a união dos grandes brasileiros.

Por Cosme Rímoli, em seu blog

Há dois blocos dispostos a ir até a última consequência: talvez até a disputa de dois torneios nacionais paralelos. Corinthians, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras de um lado. Do outro, os outros clubes restantes, tendo à frente o São Paulo de Juvenal Juvêncio, vice de Fábio Koff.

A chegada ao olho do furacão foi hoje (23). A disputa pela transmissão dos jogos dos Brasileiros de 2012, 2013 e 2014, revolucionou o futebol brasileiro. Pela primeira vez a concorrência à Globo foi para valer. A emissora que estava disposta a pagar R$ 500 milhões pelos direitos da TV aberta, a cabo, pay-per-view. E mais telefonia celular e internet.

Só que o Cade ordenou que tudo seja vendido individualmente. E para um clube ter o direito de exclusividade sobre todos os meios terá de ganhar todas as concorrências. O que deveria valer um aumento de, no mínimo, 150% do atual contrato. Dos R$ 250 milhões atuais para R$ 650 milhões.

A cúpula da Globo quase caiu de costas quando soube que o Clube dos 13 exigia R$ 500 milhões só pela tevê aberta. Alegou que os índices de audiência não justificavam esse aumento. E diz que não vai fazer qualquer proposta ao Clube dos 13. Vai negociar com os dissidentes.

Esta ameaça abre margem para a criação de Brasileiro com os clubes que saíram da administração de Koff. E com o aval da CBF, que desejava há anos recuperar o poder pleno no futebol brasileiro. Enquanto isso, os demais clubes organizariam um campeonato paralelo.

A radicalização da Globo pegou a todos de surpresa. Muitas reuniões e coletivas acontecerão. Tudo está ainda indefinido. Mas uma situação é clara, transparente. Os clubes estão divididos e muito mais fracos para reivindicar qualquer coisa.

Vitória política da CBF. De Andres Sanches, que se vê cada vez mais forte para suceder Ricardo Teixeira... E que saboreia cada vitória contra o lado em que estiver Juvenal Juvêncio...

Terrível derrota para o Clube dos 13 e Fabio Koff. Depois de 26 anos de controle absoluto sobre o futebol brasileiro... Era lógico que a Globo reagiria ao enfrentar pela primeira vez concorrência de verdade...

Esse caos não tem nada de espontâneo... Nada... O uso da Taça das Bolinhas que o diga...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Questão do Egito e a mídia burguesa

O leitor desatento do Globo de hoje se espantaria com a postura aparentemente progressista do jornal  nas matérias que se referem à renúncia do presidente Mubarak no dia de ontem.Com a capa " A praça derruba o ditador", me senti lendo o Pravda. No entanto, seguindo a série de artigos supostamente apologistas do movimento, ora ressaltando a ausência de líderes do movimento, ora destacando o papel da Internet, o Jornal Globo reproduz descaradamente a linha da Casa Branca sobre a questão.
Ressaltando a necessidade da transição democrática, o Globo mais uma vez assume como verdade universal a perfeição do regime político liberal estadunidense contra o "obscurantismo autoritário" dos inimigos do Império, tantas vezes utilizado como justificativa para guerras imperialistas. Mas isto já era de se esperar. O curioso é que o destaque é dado para fala de Obama, preocupado com a transição democrática, mas nem uma vígula é colocada sobre o contexto da revolução no Oriente Médio, o seu caráter anti-imperialista.
O Egito é um país de maioria árabe, no entanto tinha um governo aliado de Israel, que faz a política imperialista norte-americana de domínio dos Estados Unidos. Egito, até então, é um dos aliados de Israel no impasse da questão da Palestina, nos conflitos diplomáticos com o Irã. Mubarak, portanto, era um dos grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, seu poder era abastecido com as armas norte-americanas que durante anos sustentaram as Forças Armadas egípcias (avaliado em cerca de 2 bilhões ao ano) .
Ou seja, esta revolução em si é um grande prejuízo político para os Estados Unidos. Não à toa ela foi comemorada por árabes de todos os países. O que vai prevalecer agora é a disputa pelo futuro do país. Os militares, apresentados pelo Globo como os intermediários da democracia, são os mesmos militares que sustentaram Mubarak durante todos estes anos e, possivelmente, sairá deles a alternativa estadunidense para através do seu regime político de governo seguir dirigindo o país. Agora, a juventude egípcia está de olho. Seus cartazes pediam o fim do apoio americano a Mubarak. Cabe agora ao povo egípcio achar seu próprio caminho, a fim de tirar as patas do Império do Oriente Médio. Termino com um trecho da declaração de Ahmadinejad:

" Um novo Oriente Médio está emergindo, sem o regime sionista e a interferência dos EUA, um lugar onde potências arrogantes não terão lugar (...)
  Digo aos povos e aos jovens de países islâmicos e árabes, em particular aos egípcios: permaneçam alerta. Vocês têm o direito de liberdade, de escolher seu governo e seus dirigentes."

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Portal Vermelho: "Chomsky: EUA estão seguindo seu velho manual no Egito"

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, o linguista e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky, analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações.

Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Iêmen de abandonar o cargo ao final de seu mandato.
Leia também:
Noam Chomsky fala nesta entrevista sobre o que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”. Veja abaixo a entrevista completa.

Democracy Now: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak.

O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.

Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.

Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.

Democracy Now: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?
Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.

Os Estados Unidos têm um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.

Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses.

Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.

Democracy Now: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes.

Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.

Democracy Now: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?
Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.

Democracy Now: O que acontecerá com a Jordânia?Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.

Amy Goodman: A juventude do Egito não se deixará silenciar - Portal Vermelho

sábado, 15 de janeiro de 2011

Censura: Google fecha canal de vídeos do Cubadebate no Youtube

Artigo reproduzido do Portal Vermelho ( http://www.vermelho.org.br/)

 

O site de notícias cubano Cubadebate denunciou nesta quinta (13) que o Google fechou sua conta no YouTube. A razão seria infração de direitos autorais em um vídeo sobre o terrorista contrário ao governo da ilha, Luis Posada Carriles. O Cubadebate questionou os motivos verdadeiros da medida, que classificou como um atentado à liberdade de expressão.

O vídeo ao qual se referiu o YouTube foi editado de um material bem mais amplo que circulou na rede e tinha sido reproduzido em vários sites e demais veículos, sem autoria. Nenhum deles foi punido.

"O extraordinário é que o YouTube está infestado de vídeos que apresentam informações manipuladas e tendenciosas sobre Cuba, com imagens roubadas do site Cubadebate no Youtube, sem que o Google os tenha retirado de sua rede social, mesmo que tenhamos feito declarações a respeito", criticou o site prejudicado.

Ex-agente da CIA, Posada Carriles - tema do vídeo em questão -, é o responsável por um atentado a bomba contra um avião da Cubana de Aviação, que matou 73 pessoas em 1976, e fugiu do cárcere venezuelano onde cumpria uma condenação por esse crime.

O fechamento da conta do Cubadebate acontece no momento em que Carriles está sendo julgado nos EUA por 11 acusações de fraude, perjúrio e falsas declarações à Emigração, após ter entrado clandestinamente no país, em 2005.

Ele também é acusado de prestar falso testemunho há cinco anos, quando foi questionado por uma série de ataques que aconteceram em 1997 contra hotéis em Havana. A primeira testemunha do caso foi ouvida nesta quinta (13). O julgamento, contudo, é considerado por especialistas um deboche à justiça, pois se trataria de uma tentativa de evitar uma extradição solicitada pela Venezuela.

Apontado pelo YouTube como motivo para o fechamento da conta do site cubano, o famoso vídeo sobre o Fundo Legal constituído para apoiar Posada Cariles ante o julgamento que ocorre em El Paso, no Texas, contém, além do que foi publicado pelo Cubadebate, uma lista dos principais contibuintes. Entre eles, estão a representante republicana Ileana Ros Lethinen, o senador Marco Rubio, que porpõe ações violentas contra Cuba e outras figuras políticas do estado da Flórida.

O Cubadebate - que contava em seu canal com 400 vídeos e 1,6 milhões de acessos desde sua abertura há três anos - condenou o fato, afirmando se tratar de um "atentado contra a liberdade de expressão de um site alternativo de um país bloqueado econômica, comercial e financeiramente pelos Estados Unidos há quase meio século".

"Como consequência do bloqueio, para o site, cujo acesso à Internet é via satélite e que não dispõe de recursos para servidores multimídia próprios, é impossível comprar com exclusividade materiais produzidos nos Estados Unidos, particularmente aqueles que revelam a impunidade dos terroristas em Miami e que, por essa razão, são relevantes para nossa produção informativa”, colocou o Cubadebate.

A decisão do YouTube desatou um movimento de protestos e solidariedade com a página cubana. "Com rapidez, surgiram em outros meios alternativos espaços para reproduzir a informação diária do Cubadebate, o que constitui um revés para a tentativa de calá-lo", disse Rosa Miriam Elizalde", editora chefe do site.

No Facebook, um grupo registrado protesta com o título: "Não + censura no YouTube", enquanro outros meios alternativos reproduzem a indignação. Segundo Elizalde, o fechamento da conta é significativo, já que o vídeo que serviu de justificativa para o ocorrido foi publicado em vários espaços, dentro e fora da rede, inclusive pela rede norte-americana CNN.

Elizalde questiona por que penalizar o Cubadebate por publicar um extrato de seis minutos desse vídeo e não fazer o mesmo com diversas publicações norte-americanas que roubaram materiais exclusivos desse meio sem mencionar sua autoria. "Isso faz pensar em uma agressão de tipo político", disse.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Altamiro Borges: A fetichização da banda larga

Altamiro Borges: A fetichização da banda larga: "Reproduzo artigo de Paulo Henrique Amorim, publicado no blog Conversa Afiada: O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé org..."

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Erykah Badu: a música negra que não passa na MTV

Fica ai mais uma dica para apreciação. Erykah Badu, americana do Texas, gravou seu primeiro álbum em 1997. Baduizm era seu nome, meu álbum preferido da cantora. Comumente associada ao soul e ao R&B, Erykah Badu é dona de uma voz suave e uma levada viciante.
Vencedora inclusive de Grammy, a cantora já esteve até no Brasil, mas os canais musicais da TV a Cabo brasileira preferem estereotipar a música negra americana divulgando os grandes nomes das grandes gravadoras, que em geral enchem o povo com música de baixa qualidade e conteúdo alienante.
A seguir, vídeo e letra de Other Side of the Game, do mesmo álbum Baduizm:



Otherside Of The Game (tradução)
Eu realmente quero meu amor?
Irmão, me diga
O que fazer
Eu sei que você precisa ter a sua convicção em cima
Então eu rezo
Eu entendo o jogo às vezes
Mas eu amo ele demais

O que você vai fazer quando eles vierem por você?
Trabalho não é honesto, mas paga as contas (sim, paga)
O que você vai fazer quando eles vierem por você?
Meu deus, não suporto a vida sem você

Veja, eu e meu amor temos essa situação
Veja irmão, temos essa situação complexa
E não é porque ele não tem educação
Porque eu estava lá na formatura dele
Eu não estou dizendo que essa vida não funciona
Mas sou eu e o bebê que ele machuca
Porque eu digo a ele certo e ele pensa que estou errada
Mas eu amo ele demais

Ele me deu a vida que eu vim a ter
Ele me deu a música que eu vim a dar
Pressão em mim, mas a semente cresceu
Não posso conseguir sozinha
O verão veio e as flores floresceram
Ele se tornou o sol e eu me tornei a lua
Presentes precioso que ambos recebemos
Ou seria isso faz-de-conta

O que você vai fazer quando eles vierem por você?
Trabalho não é honesto, mas paga as contas
O que você vai fazer quando eles vierem por você?
Ele me deu a vida que eu vim a ter

Não se preocupe
Deus vai nos ver por dentro, vai sim
Não pode parar a revolução
Mas nos pagamos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks: Serra e a entrega do pré-sal

Reproduzo artigo de Altamiro Borges publicado no Blog do Miro, http://www.altamiroborges.blogspot.com/

Os documentos vazados pelo sítio WikiLeaks continuam desmascarando muito gente pelo mundo a fora. No Brasil, só foram divulgados menos de dez dos quase 3 mil memorandos da embaixada e consulados dos EUA no país. Ele já causaram constrangimento a Nelson Jobim - que foi ministro de FHC, ministro de Lula e deverá continuar ministro no governo Dilma Rousseff. Em vários papéis, ele aparece prestando serviços ao império, inclusive com críticas ao Itamaraty e à política externa altiva do atual governo.

Agora surgem documentos que comprovam que José Serra mentiu na eleição presidencial. O tucano garantiu que não privatizaria o pré-sal e jurou defender a Petrobras. Mas os memorados do serviço diplomático dos EUA mostram que o candidato se reuniu com as multinacionais do petróleo e prometeu rever o modelo de exploração do pré-sal. A reportagem da Folha de hoje é bombástica. Confirma o entreguismo dos demotucanos. Reproduzo-a abaixo:

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Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal

Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse. Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo.

JULIANA ROCHA
DE BRASÍLIA
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado.

“O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras”, disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. “Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada.”

Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. “Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor”, disse.

Senso de urgência

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.

A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio.

A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.

Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão.

Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.

Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.

Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.

A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.

Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora-chefe” também é relatado com preocupação.

O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.

O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional.

Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque “o PMDB precisa de uma companhia”.

Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.